terça-feira, 4 de dezembro de 2012

E então você se dá conta de tudo e o tudo passou. Se afoga no fim, duvidando de ter ou não ter sido.
Sido o que? Não sei descrever. Ou só não sei.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Well I wonder...

Desesperos que veem "do nada". Na verdade, se acumulam e retomam o lugar que já tinham anteriormente, sempre a mesma coisa, sempre. A pressão de não fazer nada para tentar mudar mas ainda assim ter anseios. E nunca, nunca conseguir o que quer de fato. A angústia de não ter o que reclamar e só a agradecer mas saber que tem algo errado que incomoda...parece bobo e por mais bobo que eu faço parecer fico pior, pois acabo deixando tudo de importante parecer bobo. Os afetos principalmente. Não admito estar apaixonada, não consigo, me sinto estúpida, fútil e até inútil. Não me permito acreditar que talvez exista alguém que sinta o mesmo - para mim, ninguém me vê do jeito que eu preciso -, não me permito diversas coisas...e por não permitir e aceitar acabo me reprimindo e ficando cada vez pior, é um ciclo que nunca acaba. Eu tento pôr fim mas acabo aumentando a ferida, alimentando-a de torturas pequenas - e ainda assim muito importantes. A ponto de deletar este texto, afirmo tudo o que foi escrito. Enjoo de mim e tento a fuga com diferentes imagens de diferentes pessoas (não consigo me enxergar mais) apago fotos e com elas lembranças junto sem saber nem o porquê.

E o pior é que ninguém vai se importar, pois nem eu mesma me importo devidamente.


(Mimimi de Abril desse ano, se não me engano).


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Despertar ruim

Forçando um choro ao contrário
Que é pra ninguém ouvir
Pra ninguém ver
Pra ninguém perguntar

Eu sei que isso não vai me matar
Mas ainda assim corroi
E eu vou achar bobo daqui algum tempo
Mas agora me machuca

Esse vazio e essa pressão
Esse frio e as suas mãos como lembrança
Inválida por sinal.

Boba. Mil vezes boba.
Bobagem sou eu
Bobagem fui eu acreditar

Vou explodir.

domingo, 15 de julho de 2012

Limão

E eu só queria as tuas mãos gelando as minhas agora
Por mais que essa ilha seja fria e o vento mais forte na tua morada.
Queria me apoiar no teu ombro sempre que possível 
Me aquecer no teu abraço, agasalho e cobertor.

Rir de lutas infames e continuar com a tua mão na minha.
Queria estar contigo agora
E depois, e depois de depois
Pois, só assim eu me sinto completa.

Não sei se isso foi só mais uma tentativa ilusória,
Ou sinal de algo, só tenho certeza de que 
Quero as nossas mãos juntas outra vez.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

O que não se pode enxergar

Nunca serei capaz de compreender o universo. Nunca.
E talvez o tamanho da Via Láctea me livre de algumas culpas, eu tento. Juro que sim.
E acredito numa razão para tudo que acontece, acredito também que somos tão pequenos!

Tão pequenos! Que um sopro nos derruba; já parou para observar as estrelas?
A Via Láctea nos engole e é tão linda! Somos poeira.
Gosto da imensidão, me faz crescer, me faz sonhar.

Embora nem tudo esteja certo, temos chance de mudar.
Embora nem tudo seja alegria, podemos transformar.
A imensidão me dá a vida.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Melodia Invisível

E das cores que eu vejo,
Das palavras que não escrevo,
Da realidade que eu não vivo,
Transformo em sonho.

Do orgulho que não venço,
Da paixão que eu não tenho,
Do inalcançável e ainda incansável,
Faço melodia, que ninguém escuta e que não existe
É transparente.

De turbilhão a turbilhão vejo a chuva caindo.
A sinto como um choro que nunca cessa.
E assim, tomba severa

Olhando o céu, denso, sinto o peso sobre mim
O peso de cada pingo, de cada gota, de cada molécula
A água escorrendo entre os dedos
Misturando-se com sangue e sal
O sal das ondas incansáveis e ininterruptas
O sangue reprimido, contido, fervendo, vazando

Molhado, esperando, como se o tempo pudesse passar mais depressa
Esperando.
O tempo é o desenrolar da vida, n'est-ce pas?

E como se fosse, desligando-se do mundo, impedi-lo de girar
Observo o mar, com calma
Cansado, como a poeira retida nos livros fechados
Como a esperança vencida nos olhos tristonhos das almas
Com a alma trancada em si, cega e acabada

Nunca me contenho, nunca me conformo
Tenho a certeza – ao avesso do avesso – que é em vão
Assim como tantos outros a tiveram
Assim como nenhum deles desistiu de sentir dor
Assim me faço
E quando a chuva cessar, e toda melancolia se disfarçar com luz
Esse eu, vai olhar pra trás, pensando entender o tempo.




Bittersweet.
Somente o dia em que nos livrarmos da ilusão do eu, enxergarmos a vida como totalidade e o próximo como prioridade, poderemos avançar.

Do que mais podemos chamar senão de "Vida"?

   Engraçado, consigo lembrar da comemoração dos teus 9 anos de idade e das nossas invenções de mundo ideal. Montávamos as casinhas das bonecas e também as nossas próprias casas, com aquelas caixas de papelão e os frascos de perfume já sem nenhuma fragrância da tua irmã mais velha, que já não estava em casa. Fingíamos ser adultas, às vezes amigas que moravam juntas na cidade e saiam à noite, outras irmãs (ou eu a mãe e você a filha mais velha) parecia tão bom ter responsabilidade, sair da quarta série e ter 25 anos todos os sábados.
   Eu lembro com clareza de todas às vezes em que fugíamos da realidade e essa era a melhor coisa que o mundo poderia nos dar: a infância, a possibilidade de sair sem culpa do mundo, de poder criar o que acha melhor, de poder brincar de casinha.
   Essas memórias estão me afogando agora que esse tempo já se foi, - isso não faz muito tempo - e a realidade tornou-se mais complexa do que nunca. De agora pra frente você terá de ser adulta, forte, acolhedora. Te cuida, eu vou te ajudar sempre. Quero te ver saudável! Tenha certeza de que eu vou estar junto quando for difícil. Em meio ano vamos comemorar a chegada que mesmo surpresa é bem-vinda.

P.s.: espero poder contar as nossas histórias engraçadas algum dia pra ele (ou ela).

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Assistir ao movimento suave das nuvens: talvez seja minha hora favorita do dia (principalmente quando elas ficam rosadas-alarajandas perto da hora que o sol se põe).

domingo, 6 de maio de 2012

A explosão de toda hora


Ela olhava fixamente para a lua cheia, que antes estava no céu de cor lilás.
Observou uma nuvem que cobria o satélite, ela estava sempre lá de olho no tudo, no nada, cobrindo um pouco da luz e dançando em volta - como uma ciranda, talvez. Percebeu que tal nuvem transformou-se em três triângulos, cada um em um segundo, depois em um losango e então um defeituoso quadrado de linhas tortas e sinuosas. De certa forma, isso a fez lembrar das coisas que estavam acontecendo em sua vida.
Ela gostava de olhar para lua “e quem não gosta?” Concluiu que milhares de  outras pessoas gostavam de apreciar a lua, não era algo só dela, não havia nada que era dela somente, nem ela mesma.  Tudo o que a menina imaginou já havia sido feito, dito, pensado, criado (talvez nem tudo, mas grande parte).  A confusão de sua mente a confundia, confunde, confusa, confusa...como habitual.