quinta-feira, 7 de junho de 2012

Do que mais podemos chamar senão de "Vida"?

   Engraçado, consigo lembrar da comemoração dos teus 9 anos de idade e das nossas invenções de mundo ideal. Montávamos as casinhas das bonecas e também as nossas próprias casas, com aquelas caixas de papelão e os frascos de perfume já sem nenhuma fragrância da tua irmã mais velha, que já não estava em casa. Fingíamos ser adultas, às vezes amigas que moravam juntas na cidade e saiam à noite, outras irmãs (ou eu a mãe e você a filha mais velha) parecia tão bom ter responsabilidade, sair da quarta série e ter 25 anos todos os sábados.
   Eu lembro com clareza de todas às vezes em que fugíamos da realidade e essa era a melhor coisa que o mundo poderia nos dar: a infância, a possibilidade de sair sem culpa do mundo, de poder criar o que acha melhor, de poder brincar de casinha.
   Essas memórias estão me afogando agora que esse tempo já se foi, - isso não faz muito tempo - e a realidade tornou-se mais complexa do que nunca. De agora pra frente você terá de ser adulta, forte, acolhedora. Te cuida, eu vou te ajudar sempre. Quero te ver saudável! Tenha certeza de que eu vou estar junto quando for difícil. Em meio ano vamos comemorar a chegada que mesmo surpresa é bem-vinda.

P.s.: espero poder contar as nossas histórias engraçadas algum dia pra ele (ou ela).

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