terça-feira, 23 de setembro de 2014

Sobre domingos e redomas


O calor que não se encaixa num domingo de inverno, rendeu bons frutos para a colheita.
Os pedais a girar, o vento e o pertencimento.
O céu estava sem as pipas, somente fios.
Sendo a redoma que é. É?

Se for redoma, forçar-me para fora dela será preciso.
Tão preciso quanto eu preciso.
As palavras latentes – a dar voltas – misturam-se.
Separam-se. Ajustam-se. Diluídas e também sólidas.

E a sonoridade que só o vento junto à solitude consegue expressar, coleciono.
E de outras sonoridades que audíveis no concreto,

“Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
Cambia el pastor su rebaño
Y así como todo cambia
Que yo cambie no es extraño

Cambia el más fino brillante
De mano en mano su brillo
Cambia el nido el pajarillo
Cambia el sentir un amante (…)”*

Me fazem lembrar de manhãs; de transportes; de ideias:

cá estamos, cidadãos do novo mundo
de forma imperceptível – talvez a nós apenas – nossos corpos estão aqui
da forma em que vos deixaram
a estranheza de olhar-se através de um espelho e se ver: história.
nossa genética é puramente história.
em nossas almas, bagagens extensas.
histórias e mais histórias
somos o reflexo do que já fomos,
olhos e mãos à frente.
olhos estes que não negam o que já viram,
as mãos sem saber o que já tocaram.
olhos, mãos (e pés!)
com a chance de engrandecer vossa alma
no sentido que vai de encontro ao equilíbrio;
olhar-se no espelho transcende o reflexo. **

Através do movimento, o cansaço do pensar torna-se físico,
Fazendo das dúvidas, dos medos e ânsias uma exclamação menor.
Deste momento em diante há o retorno do pulsar
E de sentir por pulsar, estar pulsando.





* – (Mercedes Sosa, Todo Cambia).

**- escritos livres de 09/06/2014.

A valsa dos relógios: vórtice do tempo.



Segundo alguns dicionários:


vórtice.


s.m. Redemoinho que pode surgir numa corrente de água; voragem.

Furacão, turbilhão.


tempo.


s.m. Período sem interrupções no qual os acontecimentos ocorrem; continuidade que corresponde à duração das coisas (presente, passado e futuro); o que se consegue medir através dos dias, dos meses ou dos anos; duração.


Até onde o viver dissocia-se do tempo? Até onde associa-se? Em um instante o futuro se reescreve. Com uma palavra o passado é lembrado de outra forma. Mas e o agora?


Há uma semana parecia tudo mais fácil, semana passada foi há 10 anos atrás e


“And then one day you find ten years have got behind you

No one told you when to run, you missed the starting gun


And you run and you run to catch up with the sun, but it’s sinking

Racing around to come up behind you again

The sun is the same in a relative way, but you’re older

Shorter of breath and one day closer to death”*


A velocidade em que o tempo passa não me parece – e talvez possa não parecer a quem esteja lendo também – proporcional ao que sentimos ou vivemos. Neste instante, não consigo alcançar a paz de apenas ser, sentir e aprender com o sentido mais puro da infância. Neste instante, ser, sentir e aprender está carregado de finalidades, tarefas, responsabilidades. O que assusta: é só um começo.


Impossível dar um valor positivo ou negativo à fúria engolidora que é o tempo, o que pode ser questionado é o sentido atribuído aos destinos pelo tempo. Pode? Enquanto questiono, os relógios dão voltas e mais voltas ao redor do desconhecido. Barulhentos, perturbam minha escrita “Você deveria estar trabalhando em algo, aproveitando o baile que promovemos única e restritamente à seu empenho – e somente ele – no que precisa ser feito. Não vai? Não vai?” não foi.





* – Time – Pink Floyd (https://www.youtube.com/watch?v=rL3AgkwbYgo)


10 de setembro de 2014.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

E então você se dá conta de tudo e o tudo passou. Se afoga no fim, duvidando de ter ou não ter sido.
Sido o que? Não sei descrever. Ou só não sei.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Well I wonder...

Desesperos que veem "do nada". Na verdade, se acumulam e retomam o lugar que já tinham anteriormente, sempre a mesma coisa, sempre. A pressão de não fazer nada para tentar mudar mas ainda assim ter anseios. E nunca, nunca conseguir o que quer de fato. A angústia de não ter o que reclamar e só a agradecer mas saber que tem algo errado que incomoda...parece bobo e por mais bobo que eu faço parecer fico pior, pois acabo deixando tudo de importante parecer bobo. Os afetos principalmente. Não admito estar apaixonada, não consigo, me sinto estúpida, fútil e até inútil. Não me permito acreditar que talvez exista alguém que sinta o mesmo - para mim, ninguém me vê do jeito que eu preciso -, não me permito diversas coisas...e por não permitir e aceitar acabo me reprimindo e ficando cada vez pior, é um ciclo que nunca acaba. Eu tento pôr fim mas acabo aumentando a ferida, alimentando-a de torturas pequenas - e ainda assim muito importantes. A ponto de deletar este texto, afirmo tudo o que foi escrito. Enjoo de mim e tento a fuga com diferentes imagens de diferentes pessoas (não consigo me enxergar mais) apago fotos e com elas lembranças junto sem saber nem o porquê.

E o pior é que ninguém vai se importar, pois nem eu mesma me importo devidamente.


(Mimimi de Abril desse ano, se não me engano).


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Despertar ruim

Forçando um choro ao contrário
Que é pra ninguém ouvir
Pra ninguém ver
Pra ninguém perguntar

Eu sei que isso não vai me matar
Mas ainda assim corroi
E eu vou achar bobo daqui algum tempo
Mas agora me machuca

Esse vazio e essa pressão
Esse frio e as suas mãos como lembrança
Inválida por sinal.

Boba. Mil vezes boba.
Bobagem sou eu
Bobagem fui eu acreditar

Vou explodir.

domingo, 15 de julho de 2012

Limão

E eu só queria as tuas mãos gelando as minhas agora
Por mais que essa ilha seja fria e o vento mais forte na tua morada.
Queria me apoiar no teu ombro sempre que possível 
Me aquecer no teu abraço, agasalho e cobertor.

Rir de lutas infames e continuar com a tua mão na minha.
Queria estar contigo agora
E depois, e depois de depois
Pois, só assim eu me sinto completa.

Não sei se isso foi só mais uma tentativa ilusória,
Ou sinal de algo, só tenho certeza de que 
Quero as nossas mãos juntas outra vez.