Nunca serei capaz de compreender o universo. Nunca.
E talvez o tamanho da Via Láctea me livre de algumas culpas, eu tento. Juro que sim.
E acredito numa razão para tudo que acontece, acredito também que somos tão pequenos!
Tão pequenos! Que um sopro nos derruba; já parou para observar as estrelas?
A Via Láctea nos engole e é tão linda! Somos poeira.
Gosto da imensidão, me faz crescer, me faz sonhar.
Embora nem tudo esteja certo, temos chance de mudar.
Embora nem tudo seja alegria, podemos transformar.
A imensidão me dá a vida.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Melodia Invisível
E das cores que eu vejo,
Das palavras que não escrevo,
Da realidade que eu não vivo,
Transformo em sonho.
Do orgulho que não venço,
Da paixão que eu não tenho,
Do inalcançável e ainda incansável,
Faço melodia, que ninguém escuta e que não existe
É transparente.
De turbilhão a turbilhão vejo a chuva caindo.
A sinto como um choro que nunca cessa.
E assim, tomba severa
Olhando o céu, denso, sinto o peso sobre mim
O peso de cada pingo, de cada gota, de cada molécula
A água escorrendo entre os dedos
Misturando-se com sangue e sal
O sal das ondas incansáveis e ininterruptas
O sangue reprimido, contido, fervendo, vazando
Molhado, esperando, como se o tempo pudesse passar mais depressa
Esperando.
O tempo é o desenrolar da vida, n'est-ce pas?
E como se fosse, desligando-se do mundo, impedi-lo de girar
Observo o mar, com calma
Cansado, como a poeira retida nos livros fechados
Como a esperança vencida nos olhos tristonhos das almas
Com a alma trancada em si, cega e acabada
Nunca me contenho, nunca me conformo
Tenho a certeza – ao avesso do avesso – que é em vão
Assim como tantos outros a tiveram
Assim como nenhum deles desistiu de sentir dor
Assim me faço
E quando a chuva cessar, e toda melancolia se disfarçar com luz
Esse eu, vai olhar pra trás, pensando entender o tempo.
Bittersweet.
Das palavras que não escrevo,
Da realidade que eu não vivo,
Transformo em sonho.
Do orgulho que não venço,
Da paixão que eu não tenho,
Do inalcançável e ainda incansável,
Faço melodia, que ninguém escuta e que não existe
É transparente.
De turbilhão a turbilhão vejo a chuva caindo.
A sinto como um choro que nunca cessa.
E assim, tomba severa
Olhando o céu, denso, sinto o peso sobre mim
O peso de cada pingo, de cada gota, de cada molécula
A água escorrendo entre os dedos
Misturando-se com sangue e sal
O sal das ondas incansáveis e ininterruptas
O sangue reprimido, contido, fervendo, vazando
Molhado, esperando, como se o tempo pudesse passar mais depressa
Esperando.
O tempo é o desenrolar da vida, n'est-ce pas?
E como se fosse, desligando-se do mundo, impedi-lo de girar
Observo o mar, com calma
Cansado, como a poeira retida nos livros fechados
Como a esperança vencida nos olhos tristonhos das almas
Com a alma trancada em si, cega e acabada
Nunca me contenho, nunca me conformo
Tenho a certeza – ao avesso do avesso – que é em vão
Assim como tantos outros a tiveram
Assim como nenhum deles desistiu de sentir dor
Assim me faço
E quando a chuva cessar, e toda melancolia se disfarçar com luz
Esse eu, vai olhar pra trás, pensando entender o tempo.
Bittersweet.
Do que mais podemos chamar senão de "Vida"?
Engraçado, consigo lembrar da comemoração dos teus 9 anos de idade e das nossas invenções de mundo ideal. Montávamos as casinhas das bonecas e também as nossas próprias casas, com aquelas caixas de papelão e os frascos de perfume já sem nenhuma fragrância da tua irmã mais velha, que já não estava em casa. Fingíamos ser adultas, às vezes amigas que moravam juntas na cidade e saiam à noite, outras irmãs (ou eu a mãe e você a filha mais velha) parecia tão bom ter responsabilidade, sair da quarta série e ter 25 anos todos os sábados.
Eu lembro com clareza de todas às vezes em que fugíamos da realidade e essa era a melhor coisa que o mundo poderia nos dar: a infância, a possibilidade de sair sem culpa do mundo, de poder criar o que acha melhor, de poder brincar de casinha.
Essas memórias estão me afogando agora que esse tempo já se foi, - isso não faz muito tempo - e a realidade tornou-se mais complexa do que nunca. De agora pra frente você terá de ser adulta, forte, acolhedora. Te cuida, eu vou te ajudar sempre. Quero te ver saudável! Tenha certeza de que eu vou estar junto quando for difícil. Em meio ano vamos comemorar a chegada que mesmo surpresa é bem-vinda.
P.s.: espero poder contar as nossas histórias engraçadas algum dia pra ele (ou ela).
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