quinta-feira, 7 de junho de 2012

Melodia Invisível

E das cores que eu vejo,
Das palavras que não escrevo,
Da realidade que eu não vivo,
Transformo em sonho.

Do orgulho que não venço,
Da paixão que eu não tenho,
Do inalcançável e ainda incansável,
Faço melodia, que ninguém escuta e que não existe
É transparente.

De turbilhão a turbilhão vejo a chuva caindo.
A sinto como um choro que nunca cessa.
E assim, tomba severa

Olhando o céu, denso, sinto o peso sobre mim
O peso de cada pingo, de cada gota, de cada molécula
A água escorrendo entre os dedos
Misturando-se com sangue e sal
O sal das ondas incansáveis e ininterruptas
O sangue reprimido, contido, fervendo, vazando

Molhado, esperando, como se o tempo pudesse passar mais depressa
Esperando.
O tempo é o desenrolar da vida, n'est-ce pas?

E como se fosse, desligando-se do mundo, impedi-lo de girar
Observo o mar, com calma
Cansado, como a poeira retida nos livros fechados
Como a esperança vencida nos olhos tristonhos das almas
Com a alma trancada em si, cega e acabada

Nunca me contenho, nunca me conformo
Tenho a certeza – ao avesso do avesso – que é em vão
Assim como tantos outros a tiveram
Assim como nenhum deles desistiu de sentir dor
Assim me faço
E quando a chuva cessar, e toda melancolia se disfarçar com luz
Esse eu, vai olhar pra trás, pensando entender o tempo.




Bittersweet.

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